15 de maio de 2010

Tomar Chuva

Já tomou um banho de chuva? Daqueles de lavar a alma? Não? Ah... Então deve ser por isso que, quando você está andando na rua e começa a chover, você faz uma cara feia e sai correndo com os ombros encolhidos. Já parou para pensar que, com a cara franzida ou com um belo sorriso, você se molha do mesmo jeito?

Experimente a sensação de abrir os braços e meter um sorrisão na cara toda vez que começar a chover. Ter a sensação de estar em uma cachoeira bem no meio do seu dia de trabalho é simplesmente demais.

Agora, quando começa a cair aquela puta chuva de verão... Não tem coisa melhor que sair correndo pela rua, pular em poça d’água, chutar a enxurrada. Voltar para casa encharcado e ofegante. Se no meio disso tudo rolar um beijo de chuva daquele amor inesquecível, melhor ainda. Melhor ainda se esse amor for para toda a vida.

Mas aprender a sorrir para a chuva é um bom começo. Ela cai para todos. Mas só lava a alma de quem a deixa aberta.

Ah, e ficar abraçadinho na barraca enquanto a chuva malha lá fora, é melhor que batatinha frita com sorvete.

Foto: Depois da chuva, em São Luiz do Paraitinga.


Música para banho de chuva: Depois da chuva, do Karnak

Depois da chuva
(André Abujamra / Lulu Camargo)

Depois da chuva eu vou te telegrafar
Um telegrama molhado, um telegrama de mar
Depois da chuva eu vou envelhecer
Uns 3000 quilômetros antes do amanhecer

Depois da chuva eu vou beber
De todas as fontes que o mundo pode ter
Depois da chuva eu vou soltar
Um casal de cada bicho, dois papagaios, dois tamanduás

Depois da chuva eu vou secar
Depois da chuva eu vou me reorganizar
Depois da chuva eu vou parar pra pensar
Depois da chuva vou comer minhas uvas